A gestão profissional de criatórios de cavalos Crioulos vem ganhando espaço à medida que o setor se torna mais competitivo. O empresário Aldo Vendramin observa que, historicamente associada a práticas familiares e empíricas, a atividade passou por um processo consistente de profissionalização, acompanhando a evolução do mercado e das exigências produtivas.
Nesse contexto, a gestão estruturada deixa de ser apenas uma alternativa e passa a representar um diferencial competitivo. Criatórios que adotam métodos organizados alcançam maior previsibilidade produtiva, melhor desempenho esportivo e maior valorização genética. Compreender os pilares dessa gestão torna-se, portanto, fundamental para quem busca eficiência, sustentabilidade e posicionamento estratégico no setor.
Planejamento estratégico e visão de longo prazo
A profissionalização começa com um planejamento estratégico claro. Não se trata apenas de produzir animais, mas de definir objetivos comerciais, esportivos e genéticos. Para Aldo Vendramin, essa visão amplia a capacidade de tomada de decisão e orienta o criador a enxergar o criatório como um negócio estruturado.

Além disso, o planejamento permite alinhar investimentos e expectativas ao longo do tempo. Criatórios bem-sucedidos trabalham com metas de médio e longo prazo, envolvendo a seleção criteriosa de matrizes, a escolha de garanhões e a definição de mercados-alvo. Nesse cenário, a improvisação perde espaço e o crescimento ocorre com menor exposição a riscos financeiros e maior estabilidade operacional.
Gestão zootécnica e padronização de processos
Outro pilar fundamental da gestão profissional é o controle zootécnico. De acordo com Aldo Vendramin, o acompanhamento sistemático de dados relacionados à reprodução, sanidade e desempenho permite decisões mais precisas e reduz a dependência de práticas intuitivas. A informação passa a orientar o manejo e a elevar a eficiência do criatório.
A padronização de processos complementa esse controle. Protocolos claros de alimentação, vacinação, manejo e doma funcional reduzem variações indesejadas e garantem maior uniformidade do plantel. Como resultado, a qualidade dos animais torna-se previsível, enquanto desperdícios e custos ocultos são gradualmente eliminados, reforçando a lógica empresarial da operação.
Bem-estar animal como estratégia de desempenho
O bem-estar animal ocupa posição central na gestão profissional de criatórios de cavalos Crioulos. Animais submetidos a manejo adequado apresentam melhor desempenho funcional, maior equilíbrio comportamental e maior longevidade esportiva. Saúde física e estabilidade emocional caminham juntas, influenciando diretamente os resultados.
Instalações adequadas, rotinas bem definidas, conforto térmico, espaço e interação social são fatores determinantes. Além disso, práticas de manejo respeitosas reduzem o estresse e favorecem a resposta ao treinamento. Nesse sentido, o bem-estar deixa de ser apenas um compromisso ético e se consolida como uma estratégia produtiva com impactos técnicos e econômicos concretos.
Profissionalização, mercado e valorização genética
A adoção de uma gestão profissional impacta diretamente a valorização genética e a reputação do criatório. Estruturas organizadas transmitem credibilidade ao mercado, fortalecem a confiança de compradores e ampliam a inserção em eventos, leilões e competições. Aldo Vendramin enfatiza que dados consistentes, histórico transparente e boa apresentação dos animais tornam-se diferenciais claros.
Em síntese, a gestão profissional de criatórios de cavalos Crioulos integra planejamento estratégico, controle técnico, bem-estar animal, gestão financeira e visão de mercado. Quando esses elementos atuam de forma integrada, o criatório deixa de ser apenas uma atividade de criação e se transforma em um empreendimento sólido, capaz de gerar resultados esportivos, econômicos e genéticos de maneira sustentável, consolidando o investimento no futuro do próprio negócio.
Autor: Valery Baranov
