PCA sobe 0,16% no mês, impulsionado pela queda dos alimentos, enquanto energia elétrica e passagens aéreas seguem em alta
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística confirmou, no dia 10 de julho, que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo avançou 0,16% em junho, resultado bem mais suave que a alta de 0,58% registrada em maio. O número também ficou abaixo das apostas do mercado financeiro, que previa variação próxima de 0,31%, e da estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, de 0,25%. Para quem vive nas grandes cidades e sente o preço da feira e da conta de luz no fim do mês, a pergunta é direta: essa desaceleração já significa alívio real no orçamento? A resposta é mais complexa do que parece, porque, enquanto os alimentos ficaram mais baratos, outros itens ligados à moradia e aos serviços urbanos continuaram subindo, mantendo a inflação acumulada em 12 meses acima do teto da meta.
Alimentação puxa a desaceleração da inflação
O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo resultado favorável de junho. Depois de subir 1,33% em maio, o grupo recuou 0,24% no mês, com peso de 21,75% no índice geral, retirando sozinho 0,05 ponto percentual do IPCA. O movimento se concentrou na alimentação consumida dentro de casa, que caiu 0,39%, enquanto o consumo fora do domicílio, em restaurantes e lanchonetes, ainda avançou 0,15%. Café moído recuou 3,72%, açaí caiu 14,40% e cortes como alcatra e contrafilé também ficaram mais baratos, assim como o tomate e o óleo de soja.
Nem todos os alimentos seguiram essa tendência de queda. O feijão-carioca subiu 8,31% e a batata-inglesa avançou 3,57%, movimentos que limitaram parte da deflação do grupo. Ainda assim, o resultado acumulado em 12 meses mostra a diferença entre os dois ambientes de consumo: a alimentação no domicílio acumula alta de 3,03%, bem abaixo dos 5,89% da alimentação fora de casa. Essa distância ajuda a explicar por que quem cozinha em casa sentiu mais alívio do que quem depende de restaurantes no dia a dia, hábito comum entre moradores das grandes metrópoles.
Moradia, transporte e saúde ainda pressionam o custo de vida
Enquanto a comida ficou mais barata, o grupo Habitação avançou 0,63% em junho e respondeu por 0,10 ponto percentual do IPCA, a maior contribuição de alta entre os nove grupos pesquisados. A energia elétrica residencial subiu 1,53% e, isoladamente, adicionou 0,06 ponto percentual ao índice, reflexo do sistema de bandeiras tarifárias. Transportes também subiram, com variação de 0,17% e impacto de 0,03 ponto percentual, puxados pela alta de 7,12% nas passagens aéreas, parcialmente compensada pela queda do etanol e da gasolina.
Saúde e cuidados pessoais registraram alta de 0,23% no mês, com destaque para os planos de saúde, que subiram 0,34%, e os perfumes, com variação de 1,12%. Em 12 meses, esse grupo acumula 6,21%, um dos percentuais mais altos entre todos os itens pesquisados. As despesas pessoais também avançaram 0,25% no mês, puxadas pelo aumento de 0,53% no valor pago ao empregado doméstico, item que pesa especialmente no orçamento das famílias urbanas. Educação foi um dos poucos grupos a registrar queda mensal, de 0,02%, embora ainda acumule alta de 6,33% em 12 meses.
O que esperar da inflação nos próximos meses
A inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,72% em maio para 4,64% em junho, mas segue acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central. Os núcleos de inflação, indicadores que tentam captar a tendência mais estrutural dos preços, variaram entre 0,15% e 0,25% no mês, sinalizando dinâmica mais moderada do que a observada em maio. Para julho, a mediana das expectativas do mercado aponta nova alta de 0,30%, o que sugere que o alívio de junho não deve se repetir com a mesma intensidade.
Parte da pressão de curto prazo já está mapeada. A bandeira tarifária de energia elétrica deve permanecer amarela em julho, e o bônus de Itaipu, que costuma aliviar a conta de luz, só deve ser pago em agosto. A Confederação Nacional do Comércio projeta um IPCA de 0,3% no próximo mês e fechamento de 2026 em torno de 4,9%. Para quem mora nas grandes cidades, isso significa que a folga de junho, embora bem-vinda, ainda não representa uma virada definitiva no custo de vida, sobretudo nos itens ligados a serviços e moradia.
O comportamento do IPCA em junho mostra um quadro misto para quem mora nas metrópoles brasileiras. Por um lado, a queda nos alimentos trouxe um respiro real para o orçamento doméstico. Por outro, itens estruturais do custo de vida urbano, como energia elétrica, planos de saúde e mão de obra doméstica, continuaram em trajetória de alta, mantendo a inflação em 12 meses acima da meta oficial. Esse equilíbrio deve se manter nos próximos meses, à medida que o país aguarda a normalização de preços agrícolas e observa o comportamento dos serviços, tradicionalmente mais resistentes a quedas.
Fontes: IBGE, via Sincovaga Notícias; Informativo Semanal de Economia Bancária (Febraban)
