O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério das Cidades lançaram, em 1º de julho de 2026, um levantamento nacional para orientar a expansão e a modernização do transporte público coletivo nas principais áreas urbanas do país. O estudo reúne 187 projetos previstos ou identificados em 21 regiões metropolitanas e estima um potencial de investimento superior a R$ 400 bilhões.
O trabalho integra o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana e está associado ao portal Mobilidade Brasil, plataforma que concentra dados, projetos e relatórios sobre a infraestrutura de transporte das regiões analisadas. Segundo o BNDES, a carteira mapeada pode acrescentar mais de 2.400 quilômetros à rede de transporte público coletivo de média e alta capacidade.
Carteira inclui metrôs, trens, BRTs e VLTs
Entre os sistemas considerados estão metrôs, trens urbanos, corredores de ônibus de trânsito rápido, conhecidos como BRTs, e veículos leves sobre trilhos. A seleção contempla regiões metropolitanas como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Belém e Manaus.
A abrangência nacional permite observar problemas recorrentes em diferentes metrópoles brasileiras, como a necessidade de conectar municípios conurbados, ampliar a capacidade das redes existentes e organizar deslocamentos que ultrapassam os limites administrativos de uma única cidade. Na prática, parte significativa da mobilidade diária depende da articulação entre governos municipais, estaduais e federal.
O portal Mobilidade Brasil apresenta os projetos e as informações reunidas pelo levantamento. A ferramenta foi criada para dar visibilidade às necessidades de infraestrutura e apoiar a análise de alternativas para o transporte coletivo nas regiões metropolitanas.
Estudo busca apoiar decisões de longo prazo
De acordo com o Ministério das Cidades, o levantamento foi desenvolvido entre 2024 e 2026 e considera necessidades de longo prazo das áreas estudadas. A proposta não se limita ao inventário de obras: a organização dos projetos pode servir como referência para estruturar futuras concessões, parcerias público-privadas e operações de financiamento.
O valor estimado, superior a R$ 400 bilhões, representa o potencial agregado da carteira mapeada. Não se trata, portanto, de um pacote único de obras com execução imediata, mas de um conjunto de intervenções reunidas para orientar o planejamento e a priorização de investimentos em transporte público.
Essa distinção é relevante para os passageiros. A existência de um projeto na plataforma não significa que a obra já esteja contratada ou em funcionamento. O estudo organiza demandas e possibilidades de expansão, enquanto a implantação de cada sistema depende das etapas específicas de planejamento, financiamento, contratação e gestão pública.
Integração metropolitana é um dos desafios
O planejamento de redes metropolitanas envolve mais do que construir novos trilhos ou corredores. Também exige coordenação entre diferentes níveis de governo, compatibilidade entre os sistemas e definição de modelos de operação que atendam aos deslocamentos entre municípios. A integração física e funcional pode reduzir a fragmentação das redes e melhorar a conexão entre bairros, cidades e terminais.
O levantamento ocorre em um cenário no qual as grandes cidades brasileiras precisam ampliar a oferta de transporte coletivo de maior capacidade. Metrôs, trens, BRTs e VLTs são apresentados no estudo como alternativas estruturantes para regiões com elevada demanda e deslocamentos extensos. A combinação entre esses modais e os serviços alimentadores é decisiva para que a expansão alcance mais usuários.
Ao reunir projetos de 21 regiões metropolitanas em uma mesma base, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana oferece uma visão integrada das necessidades de infraestrutura. Para os governos, a plataforma pode facilitar a comparação entre demandas e soluções; para a população, permite identificar como o planejamento federal relaciona os principais projetos de transporte às áreas urbanas onde os deslocamentos são mais intensos.
