Curitiba se prepara para uma nova concessão do transporte coletivo, com mudanças na organização das linhas, integração entre viagens e ampliação da frota elétrica. O modelo foi apresentado em setembro pela Prefeitura de Curitiba e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e prevê investimentos estimados em R$ 3,9 bilhões ao longo de contratos com duração de 15 anos.
De acordo com a Urbanização de Curitiba (Urbs), a proposta será dividida em cinco lotes de operação. Dois deles ficarão concentrados nas linhas estruturais, como expressos, Ligeirões e Linha Direta. Os outros três serão destinados às linhas regionais, incluindo trajetos alimentadores e convencionais.
O cronograma divulgado prevê a entrega das propostas em 17 de novembro de 2026, na B3, em São Paulo. O leilão está marcado para 26 de novembro. Até essas etapas, empresas interessadas deverão avaliar as regras do edital e a divisão das operações antes de apresentar suas propostas para administrar o sistema da capital paranaense.
Integração temporal amplia alternativas de deslocamento
Uma das principais novidades é a criação do Sistema Integrado de Mobilidade (SIM). A estrutura deverá permitir a integração temporal entre linhas sem que o passageiro precise passar por um terminal ou por uma estação-tubo para concluir a conexão entre os trajetos.
Na prática, a mudança busca ampliar as possibilidades de deslocamento pela rede. O usuário poderá combinar determinadas linhas dentro das regras previstas para o sistema, sem depender exclusivamente dos pontos tradicionais de integração física. Os detalhes operacionais, como os prazos e as condições para utilização do benefício, deverão seguir o que for estabelecido no edital da concessão.
A reorganização tem relação direta com o planejamento da mobilidade urbana, que envolve a articulação entre transporte coletivo, uso do espaço urbano e deslocamentos cotidianos. Em sua página institucional sobre o tema, o Ministério das Cidades trata a mobilidade como uma política que deve considerar a integração dos diferentes meios de transporte e o acesso da população aos serviços urbanos.
Frota elétrica deve crescer até 2031
O novo modelo prevê a incorporação de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031. Segundo a Urbs, cerca de um terço dos lugares ofertados pelo sistema deverá ser atendido por veículos elétricos ao final desse período. A previsão coloca a transição energética como uma das principais metas da próxima concessão do transporte coletivo de Curitiba.
A implantação também deverá contar com eletropostos públicos em dois pontos da cidade: Capão Raso e Capão da Imbuia. Esses equipamentos serão necessários para apoiar a operação dos ônibus movidos a eletricidade e representam uma mudança na infraestrutura associada ao serviço, que passará a exigir estruturas específicas para recarga e manutenção da frota.
O cronograma, no entanto, distribui a chegada dos veículos ao longo de quatro anos, e não de uma só vez. Isso significa que a participação dos ônibus elétricos deverá aumentar progressivamente entre 2027 e 2031, conforme a execução do contrato e o cumprimento das etapas previstas no modelo de concessão.
Avaliação dos passageiros poderá afetar remuneração
Outra alteração prevista está na forma de acompanhamento do desempenho das empresas. A proposta estabelece indicadores relacionados à frota, à operação e à satisfação dos usuários. A avaliação dos passageiros deverá integrar esse conjunto de critérios e poderá influenciar a remuneração das concessionárias.
Com isso, a qualidade percebida por quem utiliza o sistema passa a ter peso no funcionamento econômico dos contratos. A medida cria uma relação entre o desempenho das operadoras e a experiência dos usuários, embora a aplicação prática dependa dos indicadores, das metas e dos mecanismos de medição definidos no edital.
O modelo também mantém a separação entre os serviços estruturais e regionais por meio dos cinco lotes. Essa divisão pretende organizar a operação de diferentes tipos de linhas dentro da rede, reunindo os principais eixos de deslocamento em dois lotes e distribuindo os trajetos alimentadores e convencionais em outros três.
Próximas etapas da licitação
O roadshow de apresentação da nova concessão ocorreu em 24 de setembro de 2026, e a divulgação das informações pela Urbs foi feita no dia seguinte. A próxima data prevista é 17 de novembro, quando deverão ser entregues as propostas na B3. O leilão, caso siga o cronograma divulgado, acontecerá nove dias depois.
Para os passageiros, os efeitos mais visíveis dependerão da implementação gradual do novo contrato. A integração temporal, a chegada dos ônibus elétricos, a instalação dos eletropostos e os indicadores de satisfação só deverão alterar a rotina do sistema conforme as etapas forem executadas. Até lá, a licitação ainda precisa avançar pelas fases previstas no edital e pelo processo de seleção das futuras operadoras.
