Um projeto-piloto de semáforos inteligentes aumentou em até 30% a velocidade dos ônibus em um corredor de Belo Horizonte. A experiência foi implantada em nove cruzamentos das ruas Niquelina e Domingos Vieira, no bairro Santa Efigênia, e utiliza câmeras e algoritmos de visão computacional para identificar a aproximação dos coletivos e ajustar automaticamente o tempo dos sinais.
Os resultados foram apresentados em 22 de outubro de 2026, durante uma reunião da Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Segundo a Câmara Municipal de Belo Horizonte, cerca de 8.874 passageiros são beneficiados diariamente pelo trecho monitorado.
Como funciona o sistema
A tecnologia identifica a presença ou a aproximação dos ônibus por meio de câmeras instaladas nos cruzamentos. A partir dessa leitura, o sistema pode alterar a programação dos semáforos para favorecer a passagem do transporte coletivo, reduzindo o tempo de espera nos sinais.
O mecanismo é conhecido como “laço virtual”. Em vez de depender exclusivamente de sensores físicos instalados no asfalto, a solução utiliza imagens captadas pelas câmeras e o processamento feito por algoritmos de visão computacional. Dessa forma, a identificação do veículo ocorre sem a necessidade de abrir o pavimento para instalar o equipamento tradicional.
A prioridade não significa que os sinais permaneçam abertos continuamente para os ônibus. O sistema ajusta os tempos conforme a circulação identificada, permitindo que a operação dos cruzamentos seja adaptada à presença dos coletivos. A proposta é melhorar a fluidez do transporte público sem produzir aumento significativo do congestionamento nas vias transversais.
Ganhos no corredor de Santa Efigênia
O corredor formado pelas ruas Niquelina e Domingos Vieira tem 2,6 quilômetros. Durante o horário de pico da manhã, os ônibus passaram a percorrer o trajeto em aproximadamente três minutos a menos. O ganho de velocidade chegou a 30%, de acordo com os dados apresentados na audiência da Câmara Municipal.
Além do impacto no transporte coletivo, o projeto registrou redução do congestionamento nas duas vias. Na Rua Niquelina, a queda foi de 17%. Já na Rua Domingos Vieira, o índice alcançou 13,5%. Conforme os dados divulgados, não houve aumento significativo da retenção nas vias transversais aos cruzamentos incluídos no teste.
Na prática, a alteração beneficia passageiros que utilizam as linhas que passam pelo corredor e pode contribuir para viagens mais regulares no período de maior movimento. O resultado também alcança a operação dos ônibus, que passa a enfrentar menos interrupções provocadas pela sequência de semáforos ao longo do trajeto.
Expansão para outros cruzamentos
A Prefeitura de Belo Horizonte planeja ampliar a tecnologia para 576 controladoras semafóricas até dezembro de 2026. A etapa deve atingir aproximadamente metade dos cruzamentos semaforizados da capital mineira, que possui mais de 1,1 mil pontos desse tipo.
O restante da implantação está previsto para ser concluído em 2027. A expansão levará o modelo testado em Santa Efigênia para uma rede mais ampla de cruzamentos, com potencial de alcançar outros corredores de transporte e diferentes áreas da cidade. O cronograma, porém, está associado às etapas previstas pela administração municipal.
A experiência mostra uma aplicação de tecnologia voltada à gestão cotidiana da mobilidade urbana. Em vez de tratar todos os cruzamentos com tempos fixos, o sistema busca responder à circulação observada nas ruas, especialmente quando há ônibus se aproximando. A continuidade do projeto dependerá do acompanhamento dos resultados e da implantação planejada pela Prefeitura.
Com a ampliação, Belo Horizonte passa a testar uma estratégia que combina monitoramento por câmeras, análise automática de imagens e controle semafórico. O objetivo apresentado é dar mais fluidez ao transporte coletivo e reduzir a interferência dos congestionamentos nos deslocamentos de milhares de passageiros.
