Parajara Moraes Alves Junior, consultor em planejamento tributário, sucessório e patrimonial rural, vem acompanhando nos últimos tempos algo que se tornou um dos principais desafios de quem produz e comercializa no campo: a correta apuração do FUNRURAL, contribuição que incide sobre a receita bruta da comercialização rural e que historicamente gera controvérsia quanto à sua constitucionalidade e forma de cálculo.
Essa atuação associa-se diretamente a um cenário no qual produtores e agroindústrias buscam equilibrar a conformidade fiscal com a preservação da margem operacional da atividade. O compliance tributário no agronegócio ganha relevância crescente diante da fiscalização cada vez mais sofisticada exercida pela Receita Federal sobre o setor rural.
Como funciona a apuração do FUNRURAL na prática?
O FUNRURAL incide sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, com alíquotas que variam conforme o tipo de produtor, seja pessoa física, pessoa jurídica ou agroindústria que processa a própria produção. A apuração correta exige identificar com precisão quais receitas compõem a base de cálculo da contribuição, já que determinadas operações podem estar sujeitas a regras específicas de retenção na fonte. Compradores de produção rural, em diversos casos, assumem a responsabilidade de reter e recolher o tributo em nome do produtor vendedor.
Erros na retenção ou no recolhimento do FUNRURAL podem gerar autuações fiscais tanto para o produtor quanto para o comprador da produção, especialmente quando a documentação fiscal não reflete corretamente a operação realizada. Segundo Parajara Moraes Alves Junior, a revisão periódica dos procedimentos de retenção e recolhimento reduz o risco de passivos tributários acumulados ao longo do tempo. Empresas que adquirem grandes volumes de produção rural costumam manter rotinas específicas de auditoria interna voltadas à conformidade no recolhimento do FUNRURAL.
Os riscos do compliance tributário malfeito no agronegócio
A ausência de rotinas estruturadas de compliance tributário expõe produtores e agroindústrias a autuações fiscais que podem comprometer significativamente o resultado financeiro da operação, especialmente quando os passivos se acumulam por anos sem qualquer correção. Fiscalizações relacionadas ao FUNRURAL e a outras contribuições incidentes sobre a atividade rural têm se tornado mais frequentes, acompanhando o avanço de sistemas de cruzamento de dados utilizados pela Receita Federal. Negócios rurais que dependem de financiamento bancário também enfrentam dificuldades adicionais quando apresentam pendências fiscais não regularizadas.

A regularização de passivos tributários antigos costuma envolver negociação de parcelamentos e análise detalhada de eventuais teses jurídicas aplicáveis ao caso específico do produtor ou da agroindústria. Parajara Moraes Alves Junior ressalta a importância, nesses processos de regularização, da análise técnica da legislação tributária com soluções práticas voltadas à viabilidade financeira do negócio rural. Produtores que regularizam sua situação fiscal antecipadamente tendem a negociar condições mais favoráveis do que aqueles que aguardam autuação formal da Receita Federal.
Compliance tributário como cultura de gestão no campo
O compliance tributário no agronegócio extrapola a simples conformidade com obrigações fiscais e passa a representar uma cultura de gestão capaz de antecipar riscos antes que se tornem passivos financeiros relevantes para a propriedade rural. Produtores que incorporam essa cultura em sua rotina de gestão tendem a revisar periodicamente contratos, notas fiscais e procedimentos de retenção, reduzindo a probabilidade de inconsistências acumuladas. A digitalização de processos contábeis facilita a implementação dessa cultura, já que permite cruzamento automático de informações fiscais em tempo real.
A experiência de Parajara Moraes Alves Junior sustenta a defesa de que compliance tributário bem estruturado funciona como diferencial competitivo para negócios rurais, sobretudo em negociações com instituições financeiras e parceiros comerciais que exigem comprovação de regularidade fiscal. Propriedades com histórico consistente de conformidade tributária tendem a acessar linhas de crédito mais vantajosas e a atrair parceiros comerciais de maior porte. A consolidação dessa cultura de gestão exige tempo, mas tende a se traduzir em maior estabilidade financeira ao longo dos anos.
A trajetória da fiscalização tributária sobre o agronegócio brasileiro
A fiscalização tributária sobre o agronegócio brasileiro passou por transformações significativas nas últimas décadas, migrando de processos majoritariamente manuais e pontuais para sistemas automatizados de cruzamento de dados fiscais entre diferentes órgãos governamentais. Produtores que antes raramente eram fiscalizados em razão da dispersão geográfica das propriedades rurais passaram a integrar bases de dados nacionais capazes de identificar inconsistências em tempo real. O avanço tecnológico das ferramentas de fiscalização ampliou consideravelmente a capacidade de detecção de irregularidades fiscais no setor.
A trajetória de Parajara Moraes Alves Junior no acompanhamento dessas mudanças ilustra como a profissionalização da gestão tributária rural acompanhou, de forma direta, o avanço da capacidade fiscalizatória do Estado brasileiro. Produtores que mantêm assessoria contábil especializada tendem a se adaptar com mais agilidade a cada nova ferramenta de fiscalização implementada pela Receita Federal. A tendência de maior automação fiscal deve se intensificar nos próximos anos, reforçando ainda mais a importância do compliance tributário no agronegócio.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
