Poucas fases de um tratamento expõem tanto quanto o período de ganho de massa muscular. Lucas Peralles, nutricionista esportivo, sugere que essa etapa funcione como um teste, só que o que está sendo avaliado não é apenas o corpo, e sim a capacidade da pessoa de sustentar um plano quando as regras ficam mais flexíveis.
Ganhar massa exige mais liberdade alimentar do que a fase anterior, de redução de gordura, e essa liberdade, planejada com critério, revela rapidamente quem consegue manter direção mesmo com menos restrição e quem transforma qualquer folga em desculpa para abandonar aos poucos o que havia sido combinado em consulta.
O que a fase de ganho exige do paciente?
Diferente da fase de perda, marcada por poucas regras e alta consistência, a fase de ganho pede maturidade comportamental de um jeito mais direto. O paciente precisa comer mais, treinar com progressão constante e tolerar variações no espelho que nem sempre correspondem ao esforço aplicado naquela semana específica do ciclo. Lucas Peralles aponta que essa exigência comportamental pesa mais nessa fase do que qualquer cobrança puramente estética.
Conforme o Método LP, essa combinação de mais liberdade com menos controle visual imediato costuma ser subestimada por quem inicia a fase. Muita gente entra no ganho achando que será mais fácil por envolver menos restrição, sem perceber que a exigência mental é maior, não menor, do que na etapa anterior de perda, justamente porque falta o parâmetro imediato do espelho para corrigir o rumo.
Como o comportamento aparece quando a estrutura afrouxa?
Quando a dieta fica menos rígida, aparecem sinais que a fase de perda não revela com a mesma clareza. Alguns pacientes usam a liberdade extra com responsabilidade, mantendo consistência mesmo sem cobrança constante do profissional. Outros interpretam qualquer flexibilidade como permissão para exagerar, e a frouxidão calórica planejada acaba virando frouxidão mental generalizada.

Lucas Peralles evidencia esse contraste como um dos aprendizados mais claros da fase de ganho, já que ele separa quem já desenvolveu autonomia de quem ainda depende de supervisão apertada para manter o rumo do plano. O físico muda de forma parecida nos dois casos, mas o comportamento por trás da mudança é completamente diferente entre eles.
Por que liberdade sem estrutura vira risco, não conquista?
Dar liberdade a um paciente que ainda não sustenta consistência básica costuma sair caro no médio prazo. Sem parâmetros claros, a flexibilidade planejada se transforma rapidamente em exagero recorrente, e o ganho de massa esperado vem acompanhado de um ganho de gordura que não fazia parte do objetivo original combinado em consulta, além de gerar frustração quando o resultado final chega distorcido.
Lucas Peralles ressalta que a solução, nesses casos, não é abandonar a liberdade conquistada, e sim reduzi-la temporariamente até que o paciente reconstrua previsibilidade na própria rotina. Aumentar controle quando a autonomia ainda não existe protege o resultado sem transformar o processo em punição desnecessária.
O que muda quando o paciente sustenta a fase de ganho?
Pacientes que atravessam a fase de ganho mantendo consistência saem dela com mais do que massa muscular nova. Eles saem com evidência prática de que conseguem sustentar um plano mesmo quando ele exige mais deles, e essa evidência costuma se repetir depois em outras áreas da vida além da alimentação.
Lucas Peralles esclarece que esse é o verdadeiro objetivo por trás da fase: comprovar comportamento sob condição mais exigente, não apenas registrar números diferentes na balança ou na fita métrica ao final de cada ciclo. Dentro do Método LP, é esse resultado comportamental, e não o estético isolado, que autoriza avançar para a fase seguinte.
