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Tecnologia

Usuário poderá descobrir como a inteligência artificial participou de um anúncio no Google

Redação Revista MetropolesPor Redação Revista Metropolesoutubro 16, 2026Nenhum comentário4 Mins de leitura
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Pessoa observa números luminosos exibidos em uma tela, em uma representação conceitual de tecnologia e dados.
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A publicidade digital começa a ganhar uma nova camada de informação para o público: além de saber por que determinado anúncio apareceu, o usuário poderá consultar se a inteligência artificial generativa participou da criação ou da edição daquela peça. O Google anunciou, em 9 de julho de 2026, um painel que pretende tornar mais visível a origem de anúncios exibidos em seus principais ambientes digitais.

Chamado “How this ad was made”, o recurso será integrado ao My Ad Center e poderá ser acessado pelo menu de informações dos anúncios na Busca do Google, no YouTube e no Discover. Segundo o Google, a ferramenta indicará se recursos de inteligência artificial foram usados na produção ou na alteração do conteúdo publicitário.

A mudança interessa especialmente a quem consome publicidade em diferentes telas e, muitas vezes, não consegue distinguir uma imagem, um vídeo ou uma composição criada integralmente por pessoas de outra produzida com ferramentas generativas. A proposta não altera a exibição do anúncio, mas cria um caminho para que o público obtenha mais contexto sobre a peça visualizada.

Como funcionará a identificação

Quando o anunciante utilizar ferramentas generativas próprias do Google, a sinalização será adicionada automaticamente, conforme a descrição apresentada pela empresa. Para campanhas produzidas com soluções externas, a plataforma disponibilizará um controle para que o anunciante informe o uso de inteligência artificial.

Essa diferença mostra que a transparência dependerá de mais de uma etapa técnica. De um lado, o Google poderá reconhecer o uso de seus próprios recursos e associar essa informação ao anúncio. De outro, caberá ao anunciante declarar quando uma ferramenta de terceiros tiver sido usada na criação ou na edição da peça.

Em determinados mercados, também poderá haver uma identificação diretamente no anúncio, de acordo com as exigências locais. A empresa não apresentou, na publicação consultada, uma indicação específica de quando o recurso estará disponível para todos os usuários ou de como será aplicado individualmente no Brasil.

Publicidade entra em uma fase de maior rastreabilidade

A iniciativa ocorre em um momento de expansão dos recursos de inteligência artificial aplicados à publicidade. O Google vem apresentando novas possibilidades para a Busca e para o comércio digital, incluindo formatos associados à chamada era de anúncios baseada em inteligência artificial. O contexto foi detalhado pela companhia em uma publicação do Google Marketing Live sobre anúncios na Busca.

Para anunciantes e agências, o uso de ferramentas generativas pode acelerar a produção de imagens, textos e vídeos comerciais. Ao mesmo tempo, a identificação da tecnologia utilizada passa a fazer parte da relação entre marcas, plataformas e consumidores. A transparência sobre a origem de uma peça pode ajudar o público a interpretar melhor o conteúdo, sem substituir a análise sobre a veracidade ou a legalidade da mensagem.

O que a medida não resolve sozinha

A indicação de uso de inteligência artificial não funciona como um certificado de qualidade do anúncio. Ela informa a participação da tecnologia na produção ou na edição, mas não garante que a oferta seja verdadeira, que a imagem represente fielmente um produto ou que a campanha esteja de acordo com as regras aplicáveis à publicidade.

A responsabilidade pelo conteúdo continua envolvendo os anunciantes e os demais participantes da cadeia publicitária. Por isso, o novo painel deve ser entendido como uma camada de informação para o usuário, e não como substituto de mecanismos de fiscalização, das políticas da plataforma ou das normas de proteção ao consumidor.

O Google afirma ainda utilizar sinais digitais incorporados a conteúdos produzidos com inteligência artificial e manter regras específicas para anúncios eleitorais que contenham material sintético ou digitalmente alterado. Essas medidas complementam a proposta de tornar mais identificável a presença da tecnologia nos anúncios que circulam em seus serviços.

Com a atualização, a transparência passa a acompanhar outras métricas já valorizadas na publicidade digital, como alcance, segmentação e desempenho. Para o público, o principal efeito esperado é oferecer uma nova informação no momento em que o anúncio é visto. Para o mercado, a mudança reforça a necessidade de registrar como as peças são produzidas e de comunicar esse processo de maneira clara.

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